“Por natureza e por vocação, o homem é um ser religioso, capaz de entrar em comunhão com Deus.”
in Compêndio da Igreja Católica
in Compêndio da Igreja Católica
Assistimos à decadência moral da civilização humana nos povos do Ocidente. À distância de um clique no botão do telecomando da televisão, chegam até nossa casa notícias de governos desgovernados, onde a corrupção e falta de orientação para o povo que o elegeu emanam das suas actividades estatais.
Em prol de um duvidoso “modernismo”, deparamo-nos com iniciativas escabrosas de atentados contra a vida humana (que é a de todos nós), e pela qual o Estado deve zelar. Então, onde estão estes governos em matéria de vida? Infelizmente, abonam a matéria de morte.
O suposto dever desta alta patente civil é o de educar o seu povo; porém, quem pode dar aquilo que não tem?
Para que lado tendem os nossos representantes no que toca: à geração de seres humanos? Aborta-se; à união legítima entre pessoas? Livre, independentemente dos sexos, seja qual for a natureza e compatibilidade intrínseca à espécie humana; à educação do correcto uso da sexualidade, de acordo com o estado e consciência? Educação sexual para as crianças; ao uso de drogas nefastas? Criam-se compartimentos próprios, para que os dependentes possam exercer livremente o atentado à sua vida e à vida daqueles que os rodeiam. E que medidas, em relação: a maternidades, espaços de acompanhamento ao nascimento de novas vidas humanas? Encerram-se; centros hospitalares, bens fundamentais à salvaguarda da saúde pública? Encerram-se, e cortam-se despesas aos que não seguem este caminho; às escolas, centros de formação e educação para a comunidade humana que suporta um país? Encerram-se, e cortam-se despesas às que não seguem este caminho.
Com o decorrer dos tempos, podemos observar como a balança das medidas sociais tende, a um ritmo frenético, para o lado da corrupção humana. Não lhe chamemos “modernismo”, ou corremos o grave risco de deturpar o sentido de uma palavra que se quer como significado de saudável adjutor à vida humana (que é a nossa).
Toda esta pseudo-evolução reflecte-se na forma de estar das – cada vez mais escassas – famílias, que são, na sua essência, a unidade celular que constitui um povo ou uma civilização (como a nossa). A aplicação do livre recurso às técnicas que constituem os mais sérios atentados ao valor da família desconstroem-na e, como um tumor, alastra-se por todo o corpo da nossa sociedade, corrompendo-a.
Surge então uma nova geração, que cresce ao sabor das vagas “modernistas”. Quão frequente não é, nos dias que correm, defrontarmo-nos com pré-adultos educados por computadores e jogos de valor duvidável? Criados num ambiente onde quem não segue a última moda é automaticamente excluído; e os amigos se medem pelo que possuem, e não pelo que são. Os pais, negligentes, corroboram com esta educação, permitindo-os crescer em parcas condições de afecto humano, “compensado” por um incentivo ao materialismo. O divórcio torna-se prática corrente e, com ele, a educação destes novos seres humanos torna-se manca face à nossa condição natural.
Estes homens estão a chegar, e prontos para ocupar cargos de responsabilidade em entidades empregadoras e de governação.
Ninguém pode dar aquilo que não tem, e pouco se pode esperar de quem pouco recebeu...
A tendência natural destes espíritos, desgastados pela fricção em seco das circunstâncias da vida, é a de se circundarem por aqueles que, em pequena medida, lhes compensam as carências do afecto que não receberam na sua fase de formação. E o fruto que é comum colher na plantação de um homem saudável, esperam colhê-lo nas suas próprias plantações. Correm então atrás do elogio e do afecto fácil; das palavras bajuladoras e de incentivo, que alimentam o monstro do orgulho; e evitam as vozes da negação, porque muitas colocam a nu estas feridas de formação, encobertas pela espessa e negra camada dos vícios ganhos entretanto.
O mal atrai o mal e abomina o bem.
Nesta balança que se desequilibra como que atraída por um inexplicável magnetismo, pendem duas forças: uma que cega, e recruta nas suas fileiras os viciados pelo ópio enganador dos ditadores do “modernismo”; e a outra que desmascara, que luta pela natureza humana (que é a nossa), e harmoniza-se com esta condição. Para que o nefasto prato, embalado pelos braços do prazer instantâneo, caia definitivamente no fundo, é urgente eliminar os que forçam o sentido contrário. E são impressionantes as estratégias adoptadas para atingir este fim!
A uma árvore que não se consegue cortar, divide-se, atraindo os seus galhos para a promessa de um sol e uma água que os faça crescer mais depressa que os outros; mas cedo os faz murchar lentamente, sem que disso se apercebam. À custa de envenenar novos rebentos, estas trôpegas pernadas vão ganhando forma, volume e força, corrompendo toda a árvore. E enquanto a árvore se debilita, ataca-se a raíz até que caia. A este machado e a esta enxada, chamamos laicismo.
A necessidade de religião é tão legítima como a alimentação. Faz parte da nossa condição humana. A religião dota um povo de comportamentos similares, unindo-o a uma mesma causa e a um mesmo culto. Reflecte-se na sua vida de forma total, e penetra até ao fundo do seu comportamento, criando uma massa homogénea – e simultaneamente heterogénea –, de vontades e aptidões. Castrar esta necessidade humana é apelar à divisão: um exército unido por um mesmo chefe é sempre mais forte do que um exército sem chefe algum, porque num exército sem chefe, quem manda é a Discórdia.
O Chefe não permite maus comportamentos nas suas fileiras. E aqueles que não o suportam, por verem as suas atitudes colocadas em causa, vão conspirando; e vão conspirando de forma cada vez mais astuta. Tão astuta, que chega ao ponto de fazer levantar a pergunta: “Será que temos Chefe?”
E esta questão vai ganhando adeptos, chegando ao ponto de não reconhecer a autoridade daquele que manda; e assim se abandonam os pelotões. O exército divide-se e vai enfraquecendo. Acusando a necessidade, surgem novos chefes, pequenos em estatura, e de ideais envenenados de suspeita, corrupção e ambição. Estes pequenos chefes são ávidos de obediência, respeito e riquezas; desejam o mesmo que o Chefe tem, mas não fazem o mesmo que ele faz.
O Chefe une o exército, torna-o forte, e serve-o com as suas posses e inigualável capacidade de liderança; mas os soldados vão-no abandonando, preferindo ser comandados por outros mais “liberais”, que apenas procuram ser servidos. Revoltam-se contra o Chefe e contra aqueles que o seguem, porque sentem as suas perversas acções ameaçadas por esta presença.
O laicismo é isto: a recusa da presença deste Chefe.
Na prática, manifesta-se como uma via-rápida para a degradação humana.

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