terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Referendo sobre o aborto: Uma nova abordagem (II)

Uma questão de lógica comum

É comum o ensino de lógica básica na disciplina de matemática (ou até mesmo de filosofia) ao mais principiante dos estudantes:

V e V => V
V e F => F
F e F => F

Senso comum.

A pergunta que nos é proposta no referendo, que é constitucional, apresenta-se-nos da seguinte maneira:


"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, até às 10 semanas, num estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

Dissecando:


"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez" -> Sim.
"se realizada por opção da mulher" -> Não. Porquê apenas da mulher, se para fazer um filho são precisos dois?
"até às 10 semanas" -> Não. E às 10 semanas e 1 dia passa a ser penalizada?
"num estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" -> Não. Preferimos impostos aplicados em instituições de apoio à mulher grávida.


O que resulta em:

V e F e F e F => F

No entanto, até poderia ser:

V e F e V e V => F


Como se pode constatar, basta existir uma condição com a qual não concordamos, como por exemplo "por opção da mulher", para que o resultado dê automaticamente Falso (Não).

2 comentários:

MCA disse...

David
Acho que, ao menos, conseguimos que ganhasse a "ala moderada" do Sim. Uma pequenina vitória. Pode-se dizer que conseguimos "abortar" a versão «na minha barriga mando eu». Abortar e não apenas interromper... ao menos isso.

MCA disse...

O esquema está muito explícito mas chega a quantas pessoas? Quantos dos seus leitores percebem ou tentam percebê-lo? E, desses, quantos votariam Sim e seriam passíveis de mudar de ideias?...